Pesquisa: quais estratégias de links a concorrência usa no mercado LATAM
Uma análise dos padrões de linkbuilding mais frequentes entre sites posicionados em mercados hispanófonos revela quais táticas predominam, quais diferenças existem entre países e quais variáveis determinam se uma estratégia é replicável.
Análise dos padrões de linkbuilding mais frequentes entre sites líderes em mercados de língua espanhola e quais tendências emergem.
O que a concorrência está fazendo para se posicionar no Google dentro de mercados hispanófonos? A pergunta é operacionalmente relevante e metodologicamente difícil: os dados de backlinks são parcialmente públicos, mas interpretá-los exige critério. Este artigo sintetiza padrões identificáveis a partir de ferramentas como Ahrefs, Semrush e Majestic, documentação pública de especialistas em SEO no LATAM e estudos setoriais publicados entre 2022 e 2025. O objetivo não é entregar um benchmark definitivo, mas descrever o que os dados disponíveis mostram e indicar onde as conclusões são sólidas e onde são provisórias.
Por que estudar as estratégias da concorrência no LATAM em particular
O mercado hispano não é homogêneo. México, Argentina, Colômbia, Chile e Peru têm ecossistemas de mídia distintos, níveis de penetração de internet diferentes e estruturas de indústria que afetam diretamente quais tipos de sites conseguem links, a partir de quais domínios e com que frequência. Um padrão de linkbuilding que funciona para uma publicação de e-commerce no México pode ter nenhuma replicabilidade no Chile, onde o ecossistema editorial é mais concentrado.
A isso se soma o fato de que a oferta de sites disponíveis para linkbuilding em espanhol é consideravelmente menor do que em inglês. Segundo dados publicados pela Ahrefs em sua análise da distribuição do índice web por idioma, os sites em espanhol representam aproximadamente 5% do total indexado, frente a mais de 55% em inglês. Isso tem consequências diretas: a densidade de links entre sites hispanos é menor, os perfis de backlinks são mais concentrados em poucos domínios referentes e a diversificação geográfica dos links é um desafio real.
Para entender melhor o ponto de partida antes de analisar concorrentes específicos, vale revisar o contexto geral em Linkbuilding no mercado LATAM: estado atual e desafios, onde são documentadas as condições estruturais que definem o que é possível e o que não é nesses mercados.
O que os perfis de backlinks de sites posicionados no LATAM mostram
Ao analisar os perfis de links de sites que aparecem nas primeiras posições para keywords comerciais em mercados como México e Colômbia, emergem padrões consistentes. Esses padrões não são regras universais, mas se repetem com frequência suficiente para serem considerados tendências observáveis.
Concentração em poucos domínios de alta autoridade regional
Uma proporção significativa dos backlinks de valor nos perfis de sites bem posicionados no LATAM provém de um número reduzido de domínios: veículos de comunicação nacionais, portais de notícias com presença histórica, universidades e organismos governamentais. No México, domínios como El Financiero, Expansión e El Economista aparecem de forma recorrente nos perfis de sites de finanças pessoais, serviços B2B e tecnologia. Na Argentina, Infobae e La Nación cumprem papel análogo.
Isso sugere que as estratégias de relações públicas digitais — conseguir menções em veículos de referência — têm um peso desproporcional nos perfis dos sites mais bem posicionados. Não é surpreendente do ponto de vista da lógica do PageRank, mas é relevante porque implica que uma parte importante do backlink profile da concorrência pode ser difícil de replicar diretamente por meio de outreach padrão.
Uso extenso de conteúdo patrocinado e notas de imprensa
O segundo padrão mais visível é o uso de conteúdo patrocinado em portais de notícias e blogs de nicho. Nos mercados hispanófonos, esse formato é frequente e relativamente acessível em comparação com os custos de obter menções editoriais orgânicas em grandes veículos. Os sites posicionados em setores como saúde, finanças, viagens e e-commerce mostram, em seus perfis, um percentual relevante de links provenientes desse tipo de publicação.
A proporção varia por setor. Em verticais onde o conteúdo informativo tem alto volume de busca — como finanças pessoais ou tecnologia de consumo —, o conteúdo patrocinado aparece como tática sistemática, não esporádica. Já em setores B2B ou de nicho industrial, o padrão é menos frequente e mais concentrado em diretórios especializados e associações do setor.
Presença de links a partir de diretórios e agregadores
Um terceiro padrão, mais heterogêneo, é a presença de links a partir de diretórios locais, plataformas de avaliações e agregadores de conteúdo. A qualidade desses links varia consideravelmente. Alguns diretórios com tráfego real e relevância vertical contribuem com sinal; outros são claramente spam de linkbuilding. O que chama a atenção é que mesmo sites bem posicionados mostram em seus perfis uma cauda de links de qualidade baixa ou duvidosa, o que sugere que o Google os filtra ou lhes atribui pouco peso, mas que sua presença não penaliza ativamente.
Para avaliar com rigor o peso de cada tipo de link dentro de um perfil concorrente, o processo analítico está bem documentado em Como ler o perfil de links de um concorrente no Ahrefs, onde são explicadas as métricas-chave e como interpretá-las sem chegar a conclusões precipitadas.
O que dizem os estudos quantitativos disponíveis
Os estudos específicos sobre linkbuilding no LATAM são escassos. A maior parte da pesquisa quantitativa disponível provém de ferramentas como Ahrefs e Semrush, que publicam análises globais com dados desagregáveis por idioma ou região, embora com limitações metodológicas importantes.
O estudo de correlação de rankings publicado pela Backlinko em 2020 — que ainda é citado, apesar de ter mais de três anos — constatou que o número de domínios referentes é o fator de linkbuilding que mais fortemente se correlaciona com posições elevadas no Google. Essa correlação não implica causalidade direta, mas orienta as decisões: diversificar domínios tem mais impacto observável do que acumular múltiplos links a partir de um mesmo domínio.
Uma análise mais recente da Semrush sobre padrões de ranking em mercados hispanófonos indica que os sites nas primeiras posições para keywords de alta competição têm, em média, entre 40 e 120 domínios referentes únicos. Essa faixa é notavelmente menor do que a equivalente em inglês, o que reforça a ideia de que o limiar competitivo no LATAM é alcançável com menos domínios, embora os domínios que importam precisem ter relevância real no ecossistema local.
A Ahrefs, em seu estudo sobre o percentual de páginas sem backlinks, documentou que mais de 96% das páginas indexadas não recebem nenhum link externo. No contexto hispano, esse dado tem uma leitura prática: a maioria dos concorrentes diretos também não tem estratégias de linkbuilding ativas, o que significa que mesmo uma estratégia modesta, mas consistente, pode gerar vantagem diferencial.
Em mercados com ecossistemas editoriais menores, como os do LATAM, a chave não é replicar o volume de links da concorrência, mas identificar os poucos domínios que concentram autoridade real e construir presença neles de forma sustentada.
Quais estratégias são efetivamente replicáveis
Nem tudo o que a concorrência faz é replicável. A análise de perfis de backlinks exige separar o que pode ser imitado do que depende de vantagens estruturais — antiguidade do domínio, relações editoriais históricas, orçamento publicitário — que não se adquirem simplesmente com outreach.
O que é replicável: conteúdo patrocinado em veículos de nicho
A estratégia mais replicável que os perfis de concorrentes posicionados no LATAM mostram é a publicação sistemática de conteúdo patrocinado em veículos de nicho com tráfego real. Esses veículos têm DR mais baixo do que os grandes portais nacionais, mas são acessíveis, tematicamente relevantes e geram sinal de autoridade na vertical específica.
O padrão observável em sites de e-commerce de moda, fintech, saúde digital e serviços para empresas é consistente: entre 60% e 80% de seus backlinks de valor provêm de publicações de nicho, não de veículos massivos. Isso é replicável com um processo de prospecção e outreach estruturado.
O que é replicável: presença em recursos e listas editoriais
Outro padrão replicável é a aparição em listas editoriais do tipo "ferramentas recomendadas para X" ou "serviços para Y no México". Esses artigos de ranking ou recurso são frequentes em blogs especializados e portais de conteúdo, e muitos aceitam inclusões por meio de outreach ou conteúdo colaborativo. Os sites posicionados em nichos como software B2B, consultoria e serviços financeiros mostram esse tipo de link de forma recorrente.
O que não é diretamente replicável: menções editoriais em grandes veículos
Os links provenientes de grandes veículos — El País, CNN en Español, veículos nacionais de primeiro nível — raramente são resultado de uma estratégia de outreach direto. Na maioria dos casos, respondem a cobertura jornalística genuína, relações de longo prazo com jornalistas ou campanhas de PR com orçamento significativo. Tentar replicar esses links como tática primária é ineficiente para a maioria dos concorrentes no LATAM.
Diferenças por país e vertical
O benchmark de concorrência não pode ser generalizado para todo o LATAM sem perder precisão. Existem diferenças observáveis entre mercados:
- México: ecossistema editorial amplo, com boa oferta de portais de nicho e veículos especializados. A concorrência em keywords comerciais de alta densidade apresenta perfis de backlinks mais volumosos e diversificados. O outreach para veículos digitais locais tem boa taxa de resposta relativa.
- Argentina: mercado com alta concentração em poucos veículos de referência. Os perfis de backlinks de sites posicionados tendem a depender mais de domínios de alta autoridade. A oferta de sites de nicho é menor do que no México, o que faz com que a concorrência pelos mesmos domínios seja maior.
- Colômbia: mercado em crescimento para conteúdo digital, com ecossistema de mídia em expansão. Os perfis de backlinks em nichos como fintech, saúde e educação mostram maior peso de conteúdo patrocinado em portais de notícias locais.
- Chile e Peru: mercados com ecossistemas menores. Os perfis de concorrentes posicionados são geralmente mais modestos em volume, o que reduz o limiar de entrada, mas também limita a diversificação geográfica dos links.
Essas diferenças têm implicações diretas para como se desenha uma campanha. Uma estratégia calibrada para a Colômbia pode ser insuficiente no México e excessiva no Chile. Para ver como traduzir essas diferenças em decisões concretas de planejamento, Como construir uma estratégia de linkbuilding passo a passo oferece um framework adaptável a diferentes contextos de mercado.
Quais métricas a concorrência usa como referência
Além dos tipos de links, é relevante saber com quais métricas trabalham as equipes de SEO que operam campanhas de linkbuilding no LATAM. Isso permite entender quais sinais de qualidade estão sendo priorizados e, por extensão, que tipo de sites estão prospectando.
Segundo o documentado em análises de práticas de agências hispanófonas, as métricas mais usadas para avaliar um site antes de buscar um link são: Domain Rating (DR) do Ahrefs, Authority Score do Semrush, tráfego orgânico estimado e relevância temática do domínio. A relevância temática ganhou peso relativo nos últimos anos, em linha com as declarações do Google sobre a importância do contexto do link.
Uma análise mais detalhada de quais métricas a indústria usa e por quê está disponível em Estudo: métricas de backlinks mais usadas por agências SEO no LATAM, onde se compara a adoção de diferentes indicadores entre equipes in-house e agências.
Implicações práticas para replicar estratégias da concorrência
A partir dos padrões identificados, é possível extrair conclusões operacionais concretas:
- Priorizar domínios referentes únicos em vez de volume bruto de links. Os perfis de sites posicionados no LATAM mostram que a diversidade de domínios é o fator mais consistente. Uma campanha que conquista 20 domínios novos e relevantes em 6 meses tem mais impacto observável do que 200 links provenientes de 10 domínios.
- Mapear os veículos de nicho onde a concorrência tem presença. Exportar os backlinks dos 3 a 5 principais concorrentes, filtrar por domínios com tráfego real e relevância temática, e identificar os sites que apar