Link building no mercado LATAM: estado atual e desafios

Em que ponto se encontra o link building na América Latina? Este artigo sintetiza dados de estudos quantitativos, declarações públicas do Google e perspectivas de especialistas da região para traçar um mapa do setor em 2025-2026.

Panorama do linkbuilding na América Latina, com análise de maturidade por mercado, oportunidades editoriais e barreiras de entrada.

A pergunta que estrutura este artigo é concreta: como o link building é praticado, comprado e avaliado nos mercados hispanófonos da América Latina hoje? As fontes consultadas incluem documentação oficial do Google, quatro estudos quantitativos publicados entre 2022 e 2025, declarações públicas de especialistas em inglês e espanhol, e cobertura de veículos especializados como Search Engine Journal e Semrush Blog. Onde os dados têm mais de três anos, isso é indicado explicitamente.

Por que o debate sobre link building no LATAM é relevante agora

O ecossistema de SEO na América Latina passou por uma transformação acelerada entre 2022 e 2025. A penetração da internet na região superou 75% em países como Argentina, Chile e Colômbia, segundo dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o que ampliou o universo de sites com potencial de receber e gerar tráfego orgânico. Ao mesmo tempo, a maturação do e-commerce regional — acelerada durante a pandemia — levou empresas médias e grandes a investir pela primeira vez em SEO técnico e off-page.

Nesse contexto, o link building deixou de ser uma prática restrita a agências especializadas e se tornou um serviço demandado por setores tão diversos quanto fintech, varejo, saúde digital e mídia nativa. Mas essa maturação não foi homogênea. Entre o México, com o maior ecossistema digital de língua espanhola da região, e mercados como Peru ou Bolívia, a diferença de sofisticação é significativa.

A isso se soma um gatilho externo: as atualizações do Google dos últimos dois anos — em especial o Helpful Content Update e as sucessivas revisões do algoritmo de spam de links — mudaram as condições sob as quais os backlinks geram efeito. Entender como o mercado latino-americano responde a essas mudanças é o núcleo desta análise.

O que o Google diz sobre os links no ciclo recente de atualizações

A postura oficial do Google sobre os links não mudou estruturalmente, mas seus matizes sim. Na documentação do Google Search Essentials (atualizada em 2023), a empresa reitera que os links são um dos fatores utilizados para avaliar a relevância e a autoridade de uma página, mas deixa claro que seu peso relativo varia conforme o nicho e o tipo de consulta.

Em uma entrevista publicada pelo Search Engine Roundtable em la nota correspondiente, Gary Illyes afirmou que os links se tornaram "menos importantes" do que eram há alguns anos, em referência ao trabalho do Google para diversificar os sinais de qualidade. A declaração gerou debate imediato na comunidade de SEO porque não especificou em quais tipos de busca ou verticais essa redução de peso se aplica.

Por sua vez, em sua participação no podcast Search Off the Record (episódio publicado em 2022), John Mueller lembrou que a qualidade editorial do site que aponta o link continua sendo mais relevante do que a quantidade de domínios referenciadores. Essa posição é consistente com o que o Google comunica desde pelo menos 2019.

A implicação direta para o LATAM é que o modelo de link building em massa e de baixo custo — muito difundido na região pela disponibilidade de sites baratos — enfrenta um risco crescente de penalização ou, mais frequentemente, de irrelevância algorítmica: os links existem, mas não movem posições.

O que os estudos quantitativos dizem sobre o estado do link building

Quatro pesquisas quantitativas fornecem dados relevantes para esta análise.

Estudo da Ahrefs sobre domínios referenciadores e autoridade

A Ahrefs publicou em seu blog em 2023 uma análise de correlação entre Domain Rating (DR) e posição no Google baseada em milhões de keywords. A conclusão principal foi que sites com maior quantidade de domínios referenciadores únicos tendiam a posicionar melhor, mas que a correlação se enfraquecia em nichos com alta intenção comercial quando os backlinks vinham de sites com baixa relevância temática. Essa distinção — relevância temática acima do volume — é particularmente importante para mercados como o LATAM, onde o inventário de sites com alto DR em espanhol é consideravelmente menor do que em inglês.

Relatório da Semrush sobre SEO em mercados emergentes

O Semrush State of Search incluiu dados sobre comportamento de SEO em mercados hispanófonos. Entre os achados relevantes: sites hispanófonos com estratégias ativas de link building apresentavam perfis de backlinks com menor diversidade de domínios referenciadores em comparação com seus pares em inglês, o que sugere menor sofisticação na aquisição. Além disso, o percentual de links nofollow nos perfis de sites do LATAM era superior à média global, tendência que o relatório atribui à proliferação de publicações patrocinadas mal configuradas.

Análise da Backlinko sobre fatores de posicionamento (2020, dado desatualizado)

O estudo da Backlinko sobre fatores de ranking, publicado em 2020, ainda é citado em debates sobre link building. Seus dados indicavam que o número de domínios referenciadores únicos era um dos fatores com maior correlação com posições elevadas. No entanto, por ter mais de três anos e os algoritmos do Google terem mudado substancialmente desde então, suas conclusões devem ser tomadas como referência histórica, não como evidência vigente.

Relatório da Authority Hacker sobre ROI em link building

A Authority Hacker publicou em 2024 uma pesquisa com mais de 800 profissionais de SEO sobre práticas e percepção de ROI em link building. 68% dos respondentes indicou que o link building continuava sendo a tática off-page com maior impacto percebido nos rankings, embora 41% tenha relatado dificuldades para medir esse impacto de forma direta. O relatório não desagregava dados por mercado, mas as tendências gerais são consistentes com o que se observa em conversas e pesquisas locais no LATAM.

Para aprofundar quais métricas as agências da região utilizam concretamente ao avaliar suas campanhas, o Estudo: métricas de backlinks mais usadas por agências de SEO no LATAM oferece dados de primeira mão sobre o mercado local.

O que dizem os especialistas: vozes do setor

A análise de declarações públicas de especialistas revela consensos e tensões que os estudos quantitativos não capturam.

Perspectiva internacional

Lily Ray, diretora sênior de SEO na Amsive Digital e reconhecida por seu trabalho sobre E-E-A-T, afirmou em uma apresentação na Brighton SEO que o link building sem sinais de autoridade editorial real é cada vez menos eficaz: "O Google tem mais capacidade para avaliar se o site que aponta o link tem credibilidade real no tema, não apenas métricas de domínio elevadas". A declaração é relevante para o LATAM porque parte do inventário de sites usados para link building na região tem DR alto, mas baixa autoridade editorial em seus nichos.

Cyrus Shepard, fundador da Zyppy SEO, publicou em 2023 uma análise em seu blog pessoal sobre a relação entre relevância temática e valor do link, argumentando que um link de um site com DR 40, mas alta relevância temática, pode superar em valor um de DR 70 sem relação temática clara. Esse argumento tem implicações diretas sobre como o inventário de veículos no LATAM deveria ser construído.

Perspectiva hispânica e regional

Fernando Angulo, Head of Communications da Semrush e um dos principais referentes hispanófonos na difusão de conteúdo de SEO em espanhol, apontou em múltiplas edições de eventos como o SEMrush Academy Live que o mercado latino-americano está em um momento de transição: "As empresas maiores já entendem que link building não é comprar links em diretórios, mas há uma enorme massa de pequenas e médias empresas que ainda opera com a lógica de 2015". A declaração data de 2023 e continua sendo descritiva do estado atual.

Dentro da comunidade de SEO argentina, especialistas ativos em fóruns e eventos locais documentaram nos últimos dois anos uma tendência crescente para a compra de links em veículos digitais nativos, substituindo parcialmente os diretórios e blogs de baixa qualidade que dominavam o mercado cinco anos atrás. Essa evolução também é visível em mercados como Colômbia e Chile.

No México, o maior mercado da região, a sofisticação é maior. Agências com operações consolidadas trabalham com inventários de veículos verificados e aplicam critérios de relevância temática e tráfego orgânico real, não apenas métricas de domínio. O artigo Link building no México: mercado, oportunidades e veículos relevantes detalha essa realidade com maior profundidade.

Pontos de consenso entre as fontes

Do cruzamento das fontes emergem vários consensos que se sustentam independentemente da origem:

  • A relevância temática supera o volume bruto. Google, especialistas e estudos recentes concordam que um perfil de backlinks com menos domínios, mas maior alinhamento temático, é preferível a um massivo e genérico.
  • Links nofollow em excesso não constroem autoridade. Embora tenham função no perfil de backlinks para naturalidade, um percentual elevado de nofollow — tendência detectada no LATAM — limita o impacto sobre o posicionamento.
  • A qualidade editorial do site que aponta o link importa. A capacidade do Google de interpretar sinais de autoridade real vai além do DR ou do DA: o histórico de publicação, a presença de autores identificáveis e o tráfego orgânico do site referenciador são sinais que os especialistas recomendam avaliar.
  • O link building em massa de baixo custo tem vida útil cada vez mais curta. Não porque o Google sempre o penalize de forma explícita, mas porque seu impacto se dilui ou desaparece nas sucessivas atualizações do algoritmo de spam.

"O problema não é que o link building tenha perdido relevância; o problema é que o link building barato nunca teve a relevância que lhe era atribuída. O mercado latino-americano está aprendendo essa distinção mais lentamente do que outros mercados."

Pontos de discordância: onde as fontes se contradizem

Nem todas as posições são convergentes. Há três áreas de desacordo que vale nomear com precisão.

O quanto o peso dos links caiu?

A declaração de Gary Illyes de 2023 sobre os links como sinal "menos importante" não tem um correlato quantitativo publicado. Estudos de correlação da Ahrefs e da Semrush continuam mostrando uma associação entre quantidade e qualidade de domínios referenciadores e posicionamento. A discrepância pode ser explicada de várias formas: que o peso relativo caiu, mas continua sendo significativo; que a queda depende do nicho; ou que os estudos de correlação não capturam a causalidade real. O debate não está resolvido na literatura especializada.

Links patrocinados: dofollow ou nofollow?

O Google é explícito em suas diretrizes para qualificar links de saída: os links pagos devem ser marcados com o atributo sponsored ou nofollow. No entanto, a prática disseminada no mercado latino-americano — incluindo publicações em veículos com tráfego real — é publicar dofollow sem declaração. Especialistas com posições mais conservadoras recomendam respeitar as diretrizes; outros argumentam que o risco de penalização manual em mercados de menor volume é baixo quando os links provêm de sites editorialmente sólidos. Essa é uma das tensões mais visíveis entre a norma técnica e a prática de mercado no LATAM.

Faz sentido investir em link building antes de otimizar o conteúdo?

Alguns especialistas, especialmente aqueles com orientação para SEO técnico e de conteúdo, argumentam que o link building é um investimento prematuro se o site ainda não tem conteúdo de qualidade consolidado. Outros, com orientação mais voltada ao off-page, apontam que em mercados competitivos os backlinks são necessários mesmo nas etapas iniciais. A evidência empírica disponível não é conclusiva em nenhum dos sentidos,