Pesquisa: o que ainda funciona em link building segundo dados de 2024
À medida que o Google refina seus sistemas de avaliação de links, a pergunta prática não é se o link building ainda é válido, mas quais práticas específicas retêm valor e quais perderam efetividade. Este artigo sintetiza dados de estudos quantitativos, documentação oficial e declarações públicas de especialistas publicadas e 2024.
Revisão baseada em dados sobre quais técnicas de linkbuilding continuam gerando resultados em 2024 e quais perderam eficácia após as últimas atualizações.
As fontes consultadas para este artigo incluem documentação oficial do Google Search Central, estudos quantitativos da Ahrefs, Semrush e Backlinko publicados entre 2022 e 2024, declarações de John Mueller e Gary Illyes em formatos públicos, e análises de especialistas em SEO de língua inglesa e hispana. O período coberto prioriza dados de 2024, com contexto dos dois anos anteriores quando relevante para identificar tendências.
Por que o debate sobre a eficácia do link building se intensificou em 2024
Dois eventos concentraram a discussão. O primeiro foi o vazamento de documentos internos do Google em maio daquele ano, que gerou um ciclo intenso de análises sobre os fatores que realmente influenciam o ranking. O segundo foi a consolidação dos efeitos do Helpful Content Update e das atualizações de spam de 2023-2024, que afetaram de forma visível sites que haviam construído perfis de links agressivos nos anos anteriores.
A isso se soma o crescimento do uso de inteligência artificial para gerar conteúdo em escala, o que pressionou o Google a ajustar seus sinais de qualidade. Para quem executa campanhas de links, isso colocou uma questão concreta: as estratégias que funcionavam em 2021 e 2022 ainda são válidas, ou as regras do jogo mudaram de forma estrutural? Para entender o impacto dessas atualizações nas campanhas ativas, vale revisar como os updates do Google afetam uma estratégia de links.
O que o Google diz sobre links em 2024
A posição oficial do Google sobre backlinks evoluiu com cuidado retórico. Na documentação do Google Search Central (atualizada em 2024), os links continuam sendo descritos como um sinal que ajuda a determinar a relevância e autoridade de uma página, mas menciona-se explicitamente que seu peso relativo foi ajustado em relação a outros sinais de qualidade do conteúdo.
John Mueller, Search Advocate do Google, afirmou em uma sessão de perguntas e respostas no Google Search Central em 2023 que "os links são apenas um dos muitos fatores que usamos, e sua importância varia conforme o tipo de consulta e a página". Essa declaração não é nova, mas ganhou outro peso à luz do vazamento de documentos internos em maio de 2024, onde apareceram referências a sistemas como o NavBoost e sinais de comportamento do usuário que vários analistas interpretaram como indícios de que os links poderiam pesar menos do que antes em consultas competitivas.
Gary Illyes, analista do Google, foi mais direto em uma apresentação no Search Central Live de 2023, onde afirmou que os links ocupam o terceiro lugar entre os sinais mais importantes para o ranking, atrás do conteúdo e da compreensão da intenção do usuário. O que não ficou claro nessa declaração — e que gerou debate entre especialistas — é se essa hierarquia se aplica igualmente em todos os verticais e países, ou se varia conforme o nível de competitividade do nicho.
Em relação às políticas de spam, as Google Spam Policies (versão 2024) consolidaram a proibição de esquemas de links artificiais, incluindo redes privadas de blogs (PBNs), trocas massivas de links e compra de links sem o atributo sponsored. A aplicação dessas políticas tornou-se mais sistemática com as atualizações de spam de março e novembro de 2024.
O que dizem os estudos quantitativos
Estudo de correlações da Backlinko
A análise de um milhão de resultados de busca publicada pela Backlinko em 2024 constatou que o número de domínios de referência apontando para uma página continua sendo uma das variáveis com maior correlação com as posições nos primeiros resultados orgânicos. O estudo aponta que as páginas na posição 1 têm, em média, 3,8 vezes mais backlinks do que as páginas na posição 5 do mesmo resultado. No entanto, o mesmo estudo adverte que correlação não implica causalidade direta: em nichos de baixa competição, páginas com poucos ou nenhum backlink podem se posicionar bem pela força do conteúdo.
Análise da Ahrefs sobre páginas sem backlinks
A Ahrefs publicou em seu blog em 2023 uma análise sobre o percentual de páginas indexadas que recebem tráfego orgânico sem ter backlinks externos. Seus dados mostraram que 96,6% das páginas rastreadas não recebem tráfego do Google, e que a ausência de backlinks é um dos denominadores comuns. Isso é coerente com estudos anteriores da mesma fonte, mas é relevante que a atualização de 2023 manteve um número similar ao de anos anteriores, sugerindo que a correlação entre ausência de backlinks e ausência de tráfego não se enfraqueceu de forma estatisticamente visível.
Para quem avalia se investir no Domain Rating (DR) do site emissor ou priorizar o tráfego real desse site, a análise comparativa disponível na pesquisa sobre o que correlaciona mais com rankings, DR ou tráfego do link oferece uma perspectiva com dados diretamente aplicáveis.
Estudo da Semrush sobre qualidade vs. quantidade
A Semrush publicou em seu blog de pesquisa em 2024 uma análise focada na relação entre a autoridade do domínio emissor e a velocidade de posicionamento do receptor. Suas conclusões indicam que um link de um domínio com tráfego real e relevância temática produz efeitos mais rápidos e duradouros do que múltiplos links de domínios com métricas artificialmente infladas. Esse dado é consistente com o que vários especialistas vinham observando em campanhas práticas.
Relatório da Authority Hacker sobre link building em 2024
A Authority Hacker levantou em seu relatório anual de 2024 que o guest post continua sendo a tática de link building mais utilizada entre profissionais do setor (62% dos entrevistados a mencionou como parte de sua estratégia ativa), seguida pela criação de ativos linkáveis como estudos de dados, ferramentas gratuitas e recursos visuais. As táticas de menor uso ou em declínio incluíram a troca recíproca massiva de links e a compra direta de links em sites sem o atributo adequado.
O que dizem os especialistas
Vozes internacionais
Marie Haynes, consultora de SEO especializada em atualizações do Google, escreveu em sua newsletter de setembro de 2023 que "o link building continua sendo relevante, mas o tipo de site de onde vem o link importa mais do que nunca. Um link de um site com tráfego real e audiência ativa vale mais do que dez de sites construídos exclusivamente para vender backlinks". Sua análise foi publicada antes das atualizações de spam de 2024, mas várias de suas observações se mostraram consistentes com os padrões observados após esses updates.
Cyrus Shepard, em um fio no X (Twitter) de fevereiro de 2024, apontou que a diversificação das fontes de link — não apenas em termos de domínios, mas de tipos de páginas (notícias, blogs, fóruns, diretórios) — correlaciona positivamente com a estabilidade do posicionamento diante de updates. "Os perfis de link monótonos são os que mais sofrem cada vez que o Google ajusta os pesos", escreveu.
Kevin Indig, que publica análises técnicas em seu site pessoal, argumentou em um artigo de maio de 2024 que o conceito de "autoridade temática" (topical authority) é inseparável do link building efetivo em 2024: "Um link de um site fora do seu âmbito temático ainda é útil se o site tem autoridade geral, mas seu efeito é menor comparado ao de um referente do mesmo setor". Sua posição sublinha a importância do contexto semântico do link, e não apenas do DA ou DR do domínio.
Vozes do mercado hispânico
Fernando Maciá, CEO da Human Level e um dos referentes mais citados do SEO em espanhol, escreveu em seu blog em 2024 que a era dos "links como votos" está sendo substituída por "links como sinais de contexto": "O Google já não precisa contar backlinks para estimar autoridade; precisa entender se essa autoridade é real e relevante para o usuário que busca". Seu artigo foi publicado como análise dos efeitos do Helpful Content Update em sites em língua hispana.
Dentro da análise do mercado latino-americano, vale considerar os dados de quais estratégias de links a concorrência usa no LATAM, onde são documentados os padrões de construção de perfis de link nos verticais mais competitivos da região.
Pontos de convergência entre as fontes
O consenso mais sólido em 2024 é que backlinks de sites com tráfego real, relevância temática e audiência ativa produzem efeitos mais duradouros do que links provenientes de sites construídos exclusivamente para transferir autoridade SEO.
Os pontos em que a maioria das fontes converge são os seguintes:
- Os backlinks continuam sendo um sinal de ranking. Nenhum estudo quantitativo de 2024 encontrou evidências de que os links deixaram de importar. A correlação entre domínios de referência e posicionamento continua sendo estatisticamente visível.
- A qualidade supera a quantidade. Tanto os estudos da Ahrefs, Semrush e Backlinko quanto as declarações de especialistas apontam para o mesmo padrão: poucos links de alta relevância superam muitos de baixa relevância.
- Os esquemas artificiais apresentam maior risco. As atualizações de spam de 2024 afetaram de forma documentada sites com perfis de link artificiais, reforçando a orientação para táticas editoriais.
- O anchor text superotimizado continua sendo um sinal negativo. Não há discrepância entre as fontes neste ponto: a distribuição de anchors deve ser natural e diversificada.
- O guest post editorial continua sendo a tática mais usada e com melhor percepção de efetividade entre profissionais, desde que o conteúdo seja genuíno e o site publicante tenha audiência real.
Pontos de discrepância
Nem todas as fontes concordam em tudo. As discrepâncias mais relevantes para quem projeta campanhas são as seguintes:
Quanto pesa o DR ou DA frente ao tráfego real?
Alguns especialistas, como Kevin Indig, priorizam a relevância temática e o tráfego do domínio emissor acima do DR ou DA. Outros, como as análises da Backlinko, continuam encontrando correlação entre métricas de autoridade e posicionamento. A discrepância pode ser explicada por diferenças metodológicas: os estudos de correlação trabalham com agregados massivos, enquanto as análises de casos individuais mostram exceções frequentes. Na prática, o consenso operativo é que nenhuma métrica isolada é suficiente: um link ideal combina DR/DA alto, tráfego real e relevância temática.
Os links nofollow ainda são efetivos?
O Google declarou em 2019 que trataria os atributos nofollow, sponsored e ugc como "dicas" (hints) em vez de diretivas absolutas, o que abriu o debate sobre se os links nofollow agregam valor SEO. Em 2024, a posição continua ambígua: alguns especialistas relatam ter observado efeitos positivos em perfis com alto percentual de nofollow, enquanto outros não encontram evidências consistentes. Ahrefs e Semrush não incluem os nofollow em suas métricas de autoridade por padrão, o que pode subestimar seu efeito real caso o Google os considere em determinados contextos.
A velocidade de aquisição de links importa?
Há especialistas que recomendam uma acumulação progressiva e gradual de backlinks para simular um padrão de crescimento orgânico. Outros argumentam que picos de links, se justificados por um evento real (lançamento de produto, cobertura de imprensa, estudo publicado), não geram sinais negativos. O Google não deu uma resposta oficial clara sobre esse ponto em 2024, e os dados de estudos de casos publicados são contraditórios. A recomendação operativa mais comum é que a velocidade não é o problema em si, mas a ausência de justificativa de context